Guaratinguetá
Etimologia: De origem indígena, em língua tupi-guarani, Guaratinguetá significa “ Terra de Garças Brancas” Originariamente: uirá’tinga'etá ( guará=garça, tinga=branca e eta=muito). Recebeu esse nome porque grande quantidade dessas garças povoava a região localizada entre as Serras do Mar e Mantiqueira que margeia o Rio Paraíba.Os índios que aqui estiveram, batizaram esta terra. Muitos confundem o significado do nome com “ Reunião de Garças Brancas”, o que é errado. Guaratinguetá mais conhecida como “ Guara”, também é facilmente confundida com o município de Guará no interior do Oeste paulista.
Apelidos: A cidade de Guaratinguetá durante seus 378 anos de existência, recebeu diversos apelidos, alguns como:
Capital do Fundo do Vale: É como é chamada na sua região por ser um importante polo comercial e industrial, abastecendo comercialmente cidades vizinhas e do sul de Minas. Além disso a cidade é uma das maiores da região, tanto em população como em importância econômica. O alto indicador social também contribuiu para tal título.
Atenas do Vale do Paraíba: Foi o título dado cidade principlmente entre 1920 e 1960, por causa da instalação da Escola Normal, na época uma das poucas do interior do Brasil. Com isso outras instituições de ensino se instalaram na cidade, trazendo professores e estudantes para a cidade. Outro fator que influenciou esse apelido foi a grande quantidade de eventos culturais que haviam na época como: o Clube Literário, as serenatas, cabarets, o Centro Social, os Grêmios, os Hipódromos, os teatros e os cinemas.
Cidade Cultura: É como Guaratinguetá é conhecida por muitos. Por ser a cidade mais velha do Vale do Paraíba e terra natal de muitas personaliddes artísticas como Dilermando Reis e Bonfiglio de Oliveira, Guaratinguetá é cosiderada a cidade mais culta da região, por isso recebeu esse apelido.
Guará: Como o nome da cidade é grande: Guaratinguetá, para ficar mais fácil de se falar, os moradores e visitantes preferiram falar apenas Guará; o que muitas vezes gera confusão como o município de Guará, no Oeste Paulista.
Garça do Vale: É o apelido dado a cidade pela grande quantidade de garças brancas na cidade. Hoje esse apelido também está ligado ao time de futebol da cidade que recebeu esse apelido.
Dados Históricos: Expedições portuguesas dirigiam-se a Minas Gerais em busca de ouro e pedras preciosas e iniciaram a passagem branca por essas paisagens, mas somente a partir de 1628 é que se fixou a povoação branca na região, quando em 1636 dirige-se Jacques Felix, acompanhado de sua família para o local onde hoje se ergue Guaratinguetá, munido de carta de sesmaria e com amplos poderes para se estabelecer no local.
Jacques Felix fez logo erigir uma igreja, considerada matriz, constando como seu pároco, de 1632 a 1637, o padre Lourenço de Mendonça.
Há outra hipotese da história de Guaratinguetá que diz haver sido fundada por Domingos Leme, como representante do donatário D.Diogo Faro, mais ou menos no mesmo ano que Jacques Felix. Contudo, a data considerada oficial da fundação é a de 1651, pois versões há que consideram este último ano o da chegada do Capitão Domingos Leme.
Com o correr dos anos foi se transformando em caminho e passagem obrigatória nas viagens entre São Paulo e Rio de Janeiro. Como todo interior, possuía indústria rudimentar e caseira até à época do incremento da cultura da cana-de-açúcar e instalação de numerosos engenhos, quando começa Guaratinguetá a adquirir destaque entre as demais cidade do Vale do Paraíba pela sua grande prosperidade.
Século XVIII - Por sua localização, Guaratingueta era ponte de passagem para Minas Gerais e para as vilas de Taubaté e São Paulo, além de ser ponto de partida para Parati. Durante as primeiras décadas do século XVIII, a cidade teve importante participação no ciclo do ouro em Minas Gerais. Foi o principal centro abastecedor mineiro, e para lá mandou vários bandeirantes, juntamente com os bandeirantes de Taubaté e Pindamonhangaba. Nessa época a cidade recebeu uma Casa de Fundição de Ouro, que mais tarde foi transferida para Parati. A economia não era desenvolvida, e estava voltada para o comércio de beira de estrada.
Morgado de Mateus Governador da Capitania na época, no ano de 1765 nomeou Guaratinguetá para ser sede do “ Segundo Grupo de Infantaria” e do “ Segundo Corpo de Dragões de Guaratinguetá e Vilas do Norte.”
No século XVIII, também foi achada no Rio Paraíba a imagem de Nossa Senhora Aparecida, hoje Padroeira do Brasil. Em 1739, nasce em Guaratinguetá, Antônio Galvão de França (Frei Galvão), primeiro santo brasileiro. Neste século, novos templos religiosos se ergueram na cidade como é o caso da “ Igreja de Nossa Senhora do Rosário”.
No final do século XVIII, Guaratinguetá perde uma grande parte de seu território, com a emancipação do município de Cunha. Ainda assim a economia da cidade começa a se desenvolver, juntom com o plantio da cana de açucar e produção de açucar, que passa a ser a principal fonte de renda de Guaratinguetá. Por consequência, Guaratinguetá se tornou uma das principais vilas da Capitania de São Paulo.
Século XIX - O prestígio dos canaviais perdura até princípios do século XIX, quando a produção açucareira do Nordeste do Brasil sufoca totalmente a da região Sul. Contudo um horizonte magnífico se descortina dentro do desastre açucareiro, pois, vindo das terras fluminenses, o café adapta-se às terras de São Paulo, trazendo, consigo agricultores afeitos a seu cultivo. Guaratinguetá investe na cultura do café com todas as suas forças e em alguns lustros vê a cultura atingir o apogeu.
A opulência e a fartura se alastram no Município: é o período áureo da vida da cidade, sendo a principal atividade econômica da cidade. Do Vale do Paraíba e Brasil, ocasionando o declínio dos engenhos de cana de açucar. O desenvolvimento do café atinge em 1886, apenas em Guaratinguetá, 350 mil arrobas anuais. Junto com o progresso do café, vem o desenvolvimento econômico, político, social e urbano à vila, que em 1844 era elevada a categoria de cidade, e, logo depois, no ano de 1852 à categoria de comarca. Com a decadência do café, iniciou-se no Município uma fase de policultura, em que a cana-de-açúcar e o arroz tiveram a maior importância.Repercutiu em seu desenvolvimento, como no de outras cidades do Vale do Paraíba, o grande êxodo em fins do século XIX, da chegada da população rural e urbana, atraída pelas zonas pioneiras do oeste paulista.
A população da cidade aumentou com a vinda de escravos, que traballhavam nas plantações. A cidade começou a viver um período de embelezamento com a iluminação das ruas através dos lampiões, e perto da Igreja Matriz, foi instalado um gasômetro para a iluminação do templo.
A partir do segundo quartel do século XX, com a chegada de famílias mineiras procedentes da Mantiqueira, as velhas propriedades rurais se transformaram em fazendas de criação e a pecuária constitui hoje a principal atividade econômica da população do Município, juntamente com a industrialização que progressivamente se vai processando das localidades situadas no vale do Paraíba, ao longo das estradas que ligam o Rio de Janeiro a São Paulo. Em 1651 já era vila e foi elevado à categoria de cidade pela Lei nº. 2, de 23 de janeiro de 1844, passando a comarca pela Lei nº. 61, de 20 de abril de 1866 Com o crescente desenvolvimento econômico as construções ampliaram-se e a vida urbana se desenvolveu. O comércio expande-se também devido ao Porto de Parati.Após a abolição dos escravos, os primeiros imigrantes começam a substituir a mão-de-obra. A colônia do Piagui se instala em 1829 e na última década do século xix foi inaugurado o Teatro Carlos Gomes, onde atualmente funciona a Prefeitura Municipal.O primeiro grupo escolar da cidade passa a funcionar no edifício Flamínio Lessa.
Nessa época chegam a cidade as primeiras escolas para moças , e em 1858, é inaugurado o jornal “ O Mosaico”, tornando Guaratinguetá a primeira cidade do Vale do Paraíba a ter um jornal. O comércio teve grande desenvolvimento, trazendo mercadorias importadas da Europa para a cidade, mercdorias trazidas através do porto de Parati.
Por duas vezes a cidade foi visitada pela Família Imperial, em 1868 e em 1884. Em 1860 a cidade envia para a guerra do Paraguai, voluntários da Pátria, Guardas Nacionais e escravos oferecidos serviço de guerra.
Em 1869, Guaratinguetá recebe a Santa Casa de Misericórdia, regida na época pela Irmandade dos Passos, que também em 1865 tinha dado origem ao Cemintério dos Passos.
A estrada de Ferro é inaugurada na cidade em 1877, ligando Guaratinguetá à Corte do Rio de Janeiro e a São Paulo. Data da mesma época a criação de um Clube Republicano, junto à intensa atividade abolicionista.
Funda-se em 1882 o “ Clube Literário de Guaratinguetá” e a “ Banda Minicipal da União Beneficiente”.
Com a abolição da escravatura o município busca a colaboração estrangeira para o cultivo do solo. Em 1892 ocorre a instalação da “ Colônia do Piagui”, com a integração de mão de obra de imigrantes italianos, austríacos, alemães, suecos, belgas, franceses e poloneses.
No final do século XIX, a cidade contava com duas agências consulares, uma da Itália e a outra de Portugal.
Nesta mesma época ocorre a inauguração de “Teatro Carlos Gomes” ( atual prédio da prefeitura),a construção da ponte metálica que ligava a cidade ao bairro do Pedregulho, a inauguração do “Banco Popular” do “ Mercado Municipal”, inaugurado em 07 de novembro de 1889 com estilo arquitetônico de galeria clássica toscana.
Século XX - No século XX, após o esgotamento das terras e o declínio da cultura cafeeira, a agropecuária extensiva começa a tomar lugar.Guaratinguetá perde parte de seu território com as emancipações de Aparecida e Roseira. Um novo foco econômico surge com a industrialização e o fomento comercial. Atualmente a cidade tem demonstrado também seu grande potencial turístico-religioso, sobretudo após a recente canonização do primeiro santo brasileiro- Frei Galvão e também por localizar-se no eixo entre duas outras cidades que favorecem este tipo de turismo, Cachoeira Paulista e Aparecida. O século XX inicia-se com o alteamento das torres da Catedral. Em 1901 é construída a “ Igreja de Nossa Senhora da Piedade” no distrito de Roseira que na ocasião fazia parte de Guaratinguetá.
No ano de 1902 ocorre a instalação da Escola Complementar e depois da Escola Normal, para a formação de professores. Nesta época há a criação do “Ginásio Nogueira da Gama” e do seu internato. A escola de Comércio, Escola de Farmácia e a de Odontologia, são fundadas na cidade. Com a abertura das escolas, principalmente, da Escola Normal, Guaratinguetá torna-se na época, um importante centro de cultura, pois atraía para a cidade estudantes e professores vindos de diversas regiões do estado e de Minas Gerais.
A rede de energia elétrica é inaugurada na cidade em 1905, e com isso é instalado uma linha de bonde elétrico, ligndo Guaratinguetá até o seu antigo distrito de Aparecida. O bonde deixa de funcionar em 1952.
Por volta de 1915, são inauguradas na cidade mais duas casas de espetáculos, o “ Parque Cinema” e o “ Cine Homero Otoni”. Ocorre também a criação do “ Cine Teatro Central”, e a formação da “Associação Esportiva de Guaratinguetá” e a criação do “ Clube de Regatas” ( onde hoje é a Câmara Municipal), além de um Derby e um jockey Clube.
No século XX, também ocorre o declínio da produção de café no Vale do Paraíba. A cultura cafeeira cede lugar à prática de agropecuária extensiva. Começa a pecuária leiteira no município, e em poucas décadas. Guaratinguetá se torna uma das maiores bacias leiteras do Brasil.
No ano de 1928, Guartinguetá perde os territórios de Aparecida e de Roseira, e no ano de 1991, perde seu último distrito, o de Potim.
O desenvolvimento da economia do municipio, fez com que surgissem na cidade as primeiras associações de classe, como a “Associação dos Empregados do Comércio”, a “Associação Comercial e Industrial de Guaratinguetá”, a União Produtora de Lacticínios”, a “Coopertiva de Lacticínios de Guaratinguetá”, a “Associação Agro-Pecuária”, além da fundação de uma loja maçonica e de uma caixa rural.
Em 1914, a cidade começa seu processo de industrialização com a fundação da “Fábrica de Cobertores e Companhia de Fiação e Tecidos de Guartinguetá”.
A partir dos anos 50, atividade industrial cresce em Guaratinguetá com a abertura da Rodovia Presidente Dutra, em 1951 e com a chegada de famílias mineiras, vindas da Mantiqueira, as antigas propriedades rurais transformam-se em fazendas de pecuária. No parque industrial da cidade juntamente com as industrias de laticícios, de fiação e de tecelagem, desenvolvem-se indústrias de produtos químicos, de mecânica pesada, de papel, entre outras.
Na área educacional, chegam à cidade o SENAC “ Nelson Antônio Mathídios dos Santos”, a FATEC (Faculdade Técnológica), ocorre a criação do “ Museu Frei Galvão” e “ Museu Rodrigues Alves”.
Século XXI - No início do século XXI, com a canonização de Frei Galvão, em 2007, a atividade turística começa a aumentar no município.


Nenhum comentário:
Postar um comentário